A literatura da viola

  • Este texto foi escrito para o Portal Viola Caipira, do artista plural Yassir Chediak, em 2013, e lá pode ser lido, juntamente com outros textos voltados para os amantes da cultura de raiz
O violeiro, óleo sobre tela, do piracicabano José Ferraz de Almeida Júnior

A viola de arame, de dez cordas dispostas em cinco ordens, aportou no Brasil na metade do século XVI, a tiracolo dos colonizadores portugueses e dos padres jesuítas. Os primeiros trouxeram o instrumento para animar folguedos; os outros, para utilizar no processo de catequização do índio nas terras recém-descobertas.

Desde a colonização diversas citações na literatura brasileira testemunham ter sido a viola, se não o mais popular, certamente um dos mais importantes instrumentos no acompanhamento da modinha e do lundu nos séculos seguintes.

No romance histórico As mulheres de mantilha, ambientado entre 1763 e 1767, na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, à época capital do Brasil, o escritor fluminense Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882) dá depoimento do uso da viola em alegres reuniões noturnas da sociedade local.

Em um desses agrupamentos, uma moça, ao tomar de uma viola para cantar um lundu, é perguntada por um presente qual a razão de não cantar acompanhando-se ao cravo? E o diálogo, em seguida, vem nestes termos:

“O cravo é mais nobre, pertence às xácaras e às baladas; o lundu é mais plebeu e cabe de direito à viola, que é o instrumento do povo”.

O lundu é canto de origem africana, que teve grande destaque no Brasil do final do século XVIII ao começo do XIX, enquanto a xácara, canção de versos sentimentais, de origem árabe, tornou-se popular na Península Ibérica, por volta do século XVII.

O pesquisador de música e radialista baiano de Juazeiro, Perfilino Eugênio Ferreira Neto, 68 anos, escreveu, em 2000, na apresentação da coletânea Do lundu ao axé, que o poeta soteropolitano Gregório de Mattos Guerra (1633-1696) “fazia conquistas amorosas no recôncavo baiano, cantando lundus com versos saídos da imaginação e acompanhando-se numa viola de arame, por ele mesmo improvisada”.

No conto infantil A festa no céu, do folclore brasileiro, é relatada a façanha do sapo que voou com o urubu, dentro de uma viola. Ao longo de toda a narrativa, o instrumento é citado quase uma dezena de vezes – algumas versões fazem referência ao violão, mas este instrumento somente passou a ser conhecido do brasileiro por volta de 1830.

O cearense José de Alencar (1829-1877) também escreveu romances históricos inspirando-se no passado do Brasil, e um deles foi Guerra dos Mascates, em 1873, onde, em uma das passagens, apresenta o personagem Cosme, vítima do cacoete, com gesto rápido, passar pelos beiços a unha do polegar da mão direita e esfregá-la ao peito, contra a roupa.

Para descrever a luta do infeliz personagem, José de Alencar vale-se da imagem do violeiro, narrando que, mesmo após colocar muitos meios em prática para combater o cacoete, o roedor de unhas “via com desespero o brejeiro do dedo tocando viola no peito da roupeta”. O tocador não tange, com a unha do polegar direito, as cordas da viola, apertada contra o peito?

Duas décadas antes, o fluminense Manuel Antônio de Almeida (1830-1861) escreveu mais do que o cearense e citou a viola em cerca de 15 passagens no romance Memórias de um sargento de milícias, divulgado pela primeira vez, de junho de 1852 a julho de 1853, em folhetins, e publicado, em 1863, em edição póstuma.

Bom narrador, o fluminense deixa um pouco de falar das características do sargento Leonardo e se aventura, com sorte, a exaltar a música difundida pela viola. Ao descrever o ambiente de uma festa, ele narra: “(…) A música é diferente para cada uma, porém sempre tocada em viola. Muitas vezes o tocador canta em certos compassos uma cantiga às vezes de pensamento verdadeiramente poético”.

Igualmente, em um trecho do romance A ilustre casa de Ramires, de 1900, o escritor português Eça de Queiroz (1845-1900) cita, com destaque, a viola de arame: “E até Videirinha, que de novo afinava a viola, se preparava para um solto descante ao luar, murmurou respeitosamente por entre abafados arpejos: – Não vale a pena, Sr. Doutor… Realmente não vale a pena, porque em Política hoje é branco, amanhã é negro, e depois, zás, tudo é nada!” Outro fluminense, Raul Pompéia (1863-1895), mesmo que por uma única vez, faz alusão ao som da viola em Uma tragédia no Amazonas, romance publicado em 1880. Ao falar da alegria na casa do ex-subdelegado Eustáquio, nos dias do nascimento do seu filho, narra: “(…) Lá dentro, entre suas pobres paredes de barro, mãos de rústico, lassas do ferro agrícola, tiravam das cordas de uma viola acordes cadenciados, de um encanto que só pode avaliar quem já os ouviu, os quais mergulhando na floresta iam suavizar o sono das avezinhas”.

São muitos os romances de autores brasileiros e portugueses onde a viola, como instrumento musical, aparece em meio a personagens, na maioria das vezes com perfil de homem rural, de mãos rústicas e marcadas pelo trabalho duro, mas capazes de tirar belas melodias das cordas de arame. Tão contagiantes essas melodias que no século XV, em Ponte de Lima (Portugal), procuradores fizeram reclamação de alguns aspectos que consideraram daninhos ao reino. Citando documentos datados de 1459, o compositor e pesquisador mineiro Roberto Corrêa, 69 anos, diz em seu livro A arte de pontear a viola, de 2000, que dentre alguns desses males está registrado que certas pessoas usavam a viola para, tocando e cantando, mais facilmente roubarem as casas e dormirem com as mulheres, filhas e criadas, que, quando “ouvem o tanger a viola, vam-lhes desfechar as portas”.

Tal qual exprimem os versos do poeta baiano Castro Alves (1847-1871) no canto Os três amores, que está em Espumas flutuantes:

Os três amores
1

Minh’alma é como a fronte sonhadora
Do louco bardo, que Ferrara chora…
Sou Tasso!… a primavera de teus risos
De minha vida as solidões enflora…
Longe de ti eu bebo os teus perfumes,
Sigo na terra de teu passo os lumes…
– Tu és Eleonora…
2
Meu coração desmaia pensativo,
Cismando em tua rosa predileta.
Sou teu pálido amante vaporoso,
Sou teu Romeu… teu lânguido poeta!…
Sonho-te às vezes virgem… seminua…
Roubo-te um casto beijo à luz da lua…
– E tu és Julieta…
3
Na volúpia das noites andaluzas
O sangue ardente em minhas veias rola…
Sou D. Juan!… Donzelas amorosas,
Vós conheceis-me os trenos na viola!
Sobre o leito do amor teu seio brilha…
Eu morro, se desfaço-te a mantilha…
Tu és – Júlia, a Espanhola!. . .

E em Maria e O bandolim da desgraça, ambos em Cachoeira de Paulo Afonso:

Maria
Onde vais à tardezinha,
Mucama tão bonitinha,
Morena flor do sertão?
A grama um beijo te furta
Por baixo da saia curta,
Que a perna te esconde em vão…
Mimosa flor das escravas!
O bando das rolas bravas
Voou com medo de ti!…
Levas hoje algum segredo…
Pois te voltaste com medo
Ao grito do bem-te-vi!
Serão amores deveras?
Ah! Quem dessas primaveras
Pudesse a flor apanhar!
E contigo, ao tom d’aragem,
Sonhar na rede selvagem…
À sombra do azul palmar!
Bem feliz quem na viola
Te ouvisse a moda espanhola
Da lua ao frouxo clarão…
Com a luz dos astros — por círios,
Por leito — um leito de lírios…
E por tenda — a solidão!

O bandolim da desgraça
Quando de amor a Americana douda
A moda tange na febril viola,
E a mão febrenta sobre a corda fina
Nervosa, ardente, sacudida rola.
A gusla geme, s’estorcendo em ânsias,
Rompem gemidos do instrumento em pranto…
Choro indizível… comprimir de peitos…
Queixas, soluços… desvairado canto!
E mais dorida a melodia arqueja!
E mais nervosa corre a mão nas cordas!…
Ai! tem piedade das crianças louras
Que soluçando no instrumento acordas!…
“Ai! tem piedade dos meus seios trêmulos…”

Diz estalando o bandolim queixoso.

… E a mão palpita-lhe apertando as fibras…
E fere, e fere em dedilhar nervoso!…
Sobre o regaço da mulher trigueira,
Doida, cruel, a execução delira!…
Então — co’as unhas cor-de-rosa, a moça,
Quebrando as cordas, o instrumento atira!…

Onde vais à tardezinha,
Mucama tão bonitinha,
Morena flor do sertão?
A grama um beijo te furta
Por baixo da saia curta,
Que a perna te esconde em vão…
Mimosa flor das escravas!
O bando das rolas bravas
Voou com medo de ti!…
Levas hoje algum segredo…
Pois te voltaste com medo
Ao grito do bem-te-vi!
Serão amores deveras?
Ah! Quem dessas primaveras
Pudesse a flor apanhar!
E contigo, ao tom d’aragem,
Sonhar na rede selvagem…
À sombra do azul palmar!
Bem feliz quem na viola
Te ouvisse a moda espanhola
Da lua ao frouxo clarão…
Com a luz dos astros — por círios,
Por leito — um leito de lírios…
E por tenda — a solidão!

Assim, Desgraça, quando tu, maldita!
As cordas d’alma delirante vibras…
Como os teus dedos espedaçam rijos
Uma por uma do infeliz as fibras!
— Basta —, murmura esse instrumento vivo.
— Basta —, murmura o coração rangendo,
E tu, no entanto, num rasgar de artérias,
Feres lasciva em dedilhar tremendo.
Crença, esperança, mocidade e glória,
Aos teus arpejos, — gemebundas morrem!…
Resta uma corda… — a dos amores puros — …
E mais ardentes os teus dedos correm!…
E quando farta a cortesã cansada
A pobre gusla no tapete atira,
Que resta?… — Uma alma — que não tem mais vida!
Olhos — sem pranto! Desmontada — lira!!!

Lino Teixeira, nove vezes vereador

A última das demoradas conversas que eu mantive com meu tio Lino Teixeira — ex-vereador de Guanambi, a quem eu chamava de Sô — ocorreu em abril de 2022, quando o Ministério da Saúde declarava o fim da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (Espin), causada pela pandemia da Covid-19. Foi praticamente a última das nossas conversas, pois no dia 29 de setembro de 2023 ele viria a falecer, aos 95 anos de idade.

À época, um clima carregado antecedia as eleições presidenciais, e tratamos disso. Eu me vali da larga experiência política do meu tio, iniciada em 1951, pelo PSD, e ampliada em outros partidos ao longo dos anos.

“Ari — ele me olhava com olhar paternal, era o irmão mais velho da minha mãe —, os eleitores do Dr. Fernandes, chamados de caititus, e os do coronel Balbino Cajaíba, de morcegos, dividiram a política de Guanambi ao meio nos anos 1920, 1930; depois vieram, entre 1960 e 1980, os jacus, do Dr. José Humberto Nunes, e os carcarás, que seguiam José Neves Teixeira (Binha) e Nilo Coelho. Uma dissidência terminou separando politicamente esses dois líderes, de modo que Binha juntou-se aos jacus e Nilo Coelho permaneceu com os carcarás. Nos anos seguintes as rixas diminuíram, quase acabaram, mas tudo voltou, com brigas desnecessárias, pois política é feita de conversa, de entendimento, na busca do bem de todos.” — Eu ouvia atentamente.

Lino Teixeira

Eu gostava de conversar com meu tio Sô, e falávamos sobre coisas da nossa família e da história de Guanambi, mais ainda da política, afinal ele exercera nove vezes o mandato de vereador nos períodos legislativos de 1951 a 1989. “Somei 38 anos e nove meses como vereador” — narrava, com ar sério.

Quando falava dessa fase histórica da política, o que muito me agradava, ele destacava que exercera os 25 primeiros anos sem remuneração. Também os demais edis não recebiam subsídio — que é a denominação do vencimento do vereador. Entre eles estiveram Etelvino Pereira Donato, Gileno Pereira Donato, Estelino Pereira Donato, meus primos, e Ezequias Manoel Cotrim, um outro tio meu. O historiador Dário Teixeira Cotrim, no livro Guanambi, aspectos históricos e genealógicos (Belo Horizonte, 1994), cita Lino Teixeira, com total acerto, como um dos primeiros líderes políticos do município.

Nas nossas conversas, enquanto eu, recém-formado jornalista pela Universidade Federal da Bahia, fazia perguntas e mais perguntas, meu tio picava fumo de rolo, para enrolar seu cigarro. Em meio a um riso e outro, respondia a tudo com paciência, vez por outra corrigido pela esposa, minha tia Maria Joaquina da Silva Teixeira — um nome nobre, para o leve apelido de Zizi.

NASCEU NO GENTIO, ATUAL CERAÍMA

Lino Teixeira nasceu no atual distrito de Ceraíma, no município de Guanambi, a 2 de fevereiro de 1928, quando o local tinha o nome de Gentio. A data do seu nascimento, por si, traz a força das águas, a força de Iemanjá, a “rainha do mar”, das religiões de matriz africana; a Nossa Senhora dos Navegantes, do catolicismo. Seus pais foram Domingos Antônio Teixeira e Maria Alice Cassimiro Teixeira — ambos meus avós maternos.

Domingos Teixeira, chamado Teixeirinha, exercera a chefia do Poder Executivo municipal em três ocasiões: as duas primeiras (de 12 de agosto de1943 a 11 de outubro de 1944; de 28 de dezembro de 1945 a 20 de maio de 1946) na interinidade e a terceira (31 de maio de 1947 a 2 de janeiro de 1948) por nomeação.

“Enquanto eu era vereador, trabalhava na roça e no comércio, para sustentar minha família, de oito filhos” — dizia, pitando seu cigarro, de onde saía uma fina e branca fumaça de cheiro forte e característico. Começou a trabalhar aos sete anos de idade, como ajudante do pai, na lavoura doméstica; aos nove anos já administrava a plantação, especialmente de arroz. Aos doze anos deixou o Gentio e foi morar com os avós paternos em Malhada, município baiano à margem direita do Médio São Francisco.

Seu filho, o historiador José Bonifácio Teixeira, diz que durante o período em que foi vereador, especialmente até 1972, o pai tinha como fontes de renda uma loja de tecidos e uma pequena produção rural no distrito de Morrinhos. Ele exerceu essas atividades de agricultor e comerciante até ingressar no serviço público.

AGRICULTOR EM MALHADA

Pouca coisa eu sei a respeito do meu bisavô, major Antônio Othon Teixeira, avô de Lino Teixeira — o que sei, ouvi, ainda criança, do meu avô Teixeirinha e, mais tarde, do meu tio. “Três meses depois de me mudar para Malhada meu avô Antônio Othon faleceu, então passei a tomar conta da fazenda dele, tocando a roça por alguns meses, até me mudar para Guanambi, no início de 1940, com minha avó Mariana da Silva Teixeira, quando fui montar meu próprio comércio em Ceraíma, dividindo as atividades entre as duas cidades, até 1962, ano em que deixei Ceraíma e fui com minha família para Morrinhos, e aí ficamos até 1972, quando eu me fixei, definitivamente, em Guanambi.” Nesta data Lino Teixeira ingressou no serviço público como guarda sanitário do Grupo Executivo de Erradicação da Febre Aftosa na Bahia, o conhecido Gerfab, criado em 1968 pelo Governo da Bahia para a erradicação da febra aftosa no estado.

VIDA POLÍTICA

Meu tio gostava de dizer que ingressara na vida política por indicação do líder político Generaldo Souza Teixeira — avô da sua esposa — e do chefe político José de Castro Bastos, o Dr. Juca — avô da deputada Ivana Bastos, filha do ex-deputado Fernando Borges Bastos — para representar, na Câmara Municipal, a população dos distritos de Morrinhos e Ceraíma, onde residiu por muito tempo com sua família.

Medalha Prisco Viana

Lino Teixeira iniciou sua carreira política pelo agora extinto Partido Social Democrático (PSD), fundado em 1945, em apoio aos governos de Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) e Juscelino Kubitschek (1956-1961 — sem nenhum vínculo com a atual sigla PSD, criada em 2011.

Foi por aquele histórico PSD que Lino Teixeira elegeu-se para as duas primeiras legislaturas, de 1951 a 1954, com 234 votos, e de 1955 a 1958, com 475 votos. Na legislatura seguinte concorreu pelo Partido Libertador (PL) — fundado em 1928 e extinto em 1937, reaberto em 1945 e novamente extinto, em 1965 — que nada tem em comum com o atual PL (Partido Liberal) fundado em 1985.

Por aquele PL anterior, Lino Teixeira elegeu-se para o período de 1959 a 1962, voltando a ser eleito para novo mandato, de 1963 a 1966, pela UDN (União Democrática Brasileira), com 480 votos. Para o mandato de 1967 a 1970, pela Arena (Aliança Renovadora Nacional), com 630 votos; os períodos de 1971 a 1972, com 448 votos; de 1973 a 1976, com 602 votos; e de 1977 a 1982, com 624 votos, ainda pela Arena.

A 15 de novembro de 1982, já então filiado ao Partido Democrático Social (PDS), sucessor da Arena, elegeu-se para a nona, e sua última legislatura, com 1.004 votos.

FUNÇÃO DO PARLAMENTAR

Quando nossa conversa descambava para atividades parlamentares, meu tio desviava o assunto, e dizia que não era coisa para ele falar, “sim os outros”. O certo é que ele defendeu obras fundamentais para o desenvolvimento econômico e social de Guanambi. Pode-se citar o projeto de lei, de 1963, considerando de utilidade pública para fins de desapropriação área do terreno da Cova de Leocádia; apoio à solicitação de empréstimo para a construção da sede da Prefeitura Municipal, na rua Dr. José Fernandes, cujo prédio depois foi leiloado, com seu voto contra. Trabalhou pela construção de igrejas na Vila de Nova Ceraíma e no povoado de Morrinhos; participou da luta pela estadualização do Ginásio de Guanambi, sociedade particular que passou a ser o Colégio Estadual Luís Viana Filho; empenhou-se pela entrada em funcionamento, em 1975, do Hospital Santo Antônio, construído pela Associação dos Amigos de Guanambi e a Comissão do Vale do São Franscisco; e pela construção do fórum da Comarca.

O reconhecimento pela Câmara Municipal de Vereadores de Guanambi da militância política do vereador Lino Teixeira, em seus nove mandatos, resultou em atribuir seu nome ao auditório da Casa, de modo que passou a ser chamado Auditório Lino Teixeira; e a denominação da rua Vereador Lino Teixeira, no bairro Paraíso. Quando das comemorações pelo Centenário de Guanambi, em 2019, a Câmara Municipal concedeu-lhe a Medalha Prisco Viana (Mérito Legislativo 2018).

  • A avaliação de um parlamentar não necessariamente está ligada a quantos cargos assumiu, a quantas vezes presidiu a instituição a que integra, a quantos títulos ou medalhas recebeu, nem mesmo a quantos projetos apresentou, mas sim em quantas causas do interesse da comunidade ele votou a favor. A defesa do interesse comum é a função maior do parlamentar — não exatamente com estas palavras nem exatamente desta forma, mas esta definição eu ouvi do pai do meu tio Lino Teixeira, que vem a ser meu avô Domingos Antônio Teixeira (Teixeirinha).

O médico humanista José Humberto Nunes

Em abril deste ano de 2026, no dia 21, completaram-se 101 anos do nascimento de José Humberto Moreira Andrade Nunes, por três vezes prefeito da cidade de Guanambi, no interior da Bahia. Filho único do casal José Francisco Nunes e Idalice Moreira Andrade Nunes, ele nasceu em Salvador, no dia 21 de abril de 1925; faleceu na madrugada do dia 17 de abril de 2001, na mesma cidade, e foi sepultado no Cemitério Campo Santo, cercado de parentes, amigos e dezenas de guanambienses.

Quatro dias antes de completar 74 anos de idade, o então médico aposentado e ex-prefeito José Humberto – ou Zomberto, no falar apocopado do homem do campo – faleceu na UTI do Hospital Português, em Salvador. Foi a perda de um dos mais expressivos profissionais e homens públicos que Guanambi já teve em toda a sua história, desde que o município fora criado, em 1919.

MÉDICO HUMANISTA

José Humberto chegou a Guanambi no início dos anos 1950, recém-formado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia, com os pais Sr. Nunes e Dona Idalice. O seu pai, um empreendedor português, foi proprietário da primeira banca de revistas na cidade, mas a formação humanista que deu ao filho foi o maior legado que transferiu para a cidade.

José Humberto Nunes

Atendendo a pessoas carentes das zonas urbanas e rurais de cerca de 10 municípios da região, o recém-formado médico destacou-se por combater, não apenas a doença, mas, na medida do possível, suas causas.

Costumava responder a quem lhe pedia que aviasse “um fortificante ou uma vitamina”, que tudo de que precisava “estava na quitanda da esquina: banana, manga, laranja, tomate, ovos, abóbora”. Aos mais necessitados, ele dava os medicamentos vitais.
Amado pelo povo, foi eleito prefeito em três ocasiões. Sua primeira eleição (1955–1959) foi a quinta ocorrida até então pelo voto direto; até então o município tivera a maioria de seus prefeitos nomeados. As outras foram nos períodos de 1963 a 1967 e 1971 a 1973.
Administrando um município recém-emancipado e de poucos recursos, distante do centro do poder estadual e padecendo de uma comunicação eficiente, José Humberto preferiu investir no social, voltar para um combate mais eficaz às endemias. Suas três administrações foram marcantes neste sentido.

Em 1967, ao encerrar o segundo mandato, apoiou seu secretário municipal de Administração, Jonas Rodrigues da Silva, que foi eleito prefeito (1967 a 1971), mas na eleição seguinte voltou a se candidatar e foi eleito para o terceiro mandato, que encerrou em 1973, deixando, como sucessor, novamente, seu secretário Jonas Rodrigues da Silva.

Em Guanambi, onde viveu por quase 30 anos, José Humberto trabalhou como médico pela Comissão do Vale do São Francisco (CVSF), depois Superintendência do Vale do São Francisco (Suvale) e, atualmente, Companhia do Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), e pela Secretaria de Saúde do Estado. No final de 1976, transferiu-se para Salvador e trabalhou no Serviço Médico da Universidade Federal da Bahia por muitos anos, tendo sido seu diretor durante quase uma década.

HUMILDE E DEDICADO

Quando do seu sepultamento, sua esposa, Dona Maria de Lourdes Nunes, realçou as qualidades do marido: “Médico competente, humilde e dedicado, político honesto, leal e digno, extraordinária figura humana, que deixou aos seus um legado de honra, bondade, força e amor.”

Seu filho Sílvio Nunes, 62 anos, conta que, ainda criança, na residência da família, em Guanambi, ele era acordado frequentemente com pessoas batendo à janela do quarto, que dava para uma praça (José Ferreira), chamando seu pai para prestar um ou outro atendimento médico. “Eu acordava, levantava-me e ia até o quarto do meu pai, para chamá-lo, e isso era frequente!” – recorda o mais novo dos cinco irmãos: José Francisco (Guiguiu), José Humberto (Bebeto), Idalice e Maria Elvira.

Este texto não tem a pretensão de trazer algum fato histórico desconhecido do público nem a responsabilidade de levantar questões para debate. A intenção é trazer à memória figuras guanambienses; reverência e homenagem cabem às instituições locais criadas para tal função.

Guanambi, a cidade beija-flor!

Vista parcial da cidade de Guanambi, no suodeste da Bahia | Foto Ari Donato

O município de Guanambi, no sudoeste da Bahia, limita-se com os de Caetité, Igaporã, Pindaí, Candiba, Palmas de Monte Alto e Sebastião Laranjeiras. Seu clima é basicamente semiárido, com temperatura média anual de 22,6ºC e período de chuva entre os meses de novembro e fevereiro. Pela Lei Provincial n.º 1.779, de 23 de junho de 1880, foi criado, no município de Monte Alto, o distrito de Bela-Flor, com sede no arraial de Beija-Flor.

O atual município foi criado pela Lei Estadual nº 1.364, de 14 de agosto de 1919, desmembrado do de Monte Alto. A instalação ocorreu no dia 1º de janeiro de 1920, quando tomou posse como primeiro intendente o coronel Balbino Gabriel de Araújo Cajahyba. No mesmo dia, em acordo com a lei que criou o município, o intendente decretou a Lei Orçamentária para o exercício de 1920, que orçou a receita em 12 contos de réis.

BEIJA-FLOR; BEIJA-FLOR!

A história da formação do município de Guanambi liga as denominações Bela-Flor e Beija-Flor a uma tradicional festa católica que havia no arraial para homenagear Santo Antônio, padroeiro do local. Durante a cerimônia ocorria uma sessão de beijos e mimos à imagem do padroeiro, promovida por uma menina chamada Flor (que teria o nome de Florinda), filha da devota Bela (provavelmente Belarmina).

A maioria dos que assistiam à cerimônia era formada de jogadores de cartas e desocupados. No auge do folguedo, eles gritavam: “Beija, flô; beija flô”. Com o tempo, as preparações para esses festejos eram, no dizer dos participantes, para “o beija flô na casa de Bela”.

O historiador, poeta e ex-prefeito de Guanambi, Domingos Antônio Teixeira (1903-1976), não endossa esta versão. Em seu livro Respingos Históricos (Salvador, 1991), defende que o nome Beija-Flor, dado ao arraial, veio da pequena ave da família dos troquilídeos, da espécie dos colibris. Segundo o historiador, o terreno de vazante, contíguo ao centro do arraial, era coberto por flores silvestres, o que atraía quantidade de beija-flores a maior parte do ano.

A Lei Estadual nº 1.364, de 14 de agosto de 1919, que criou o município, determinou que os limites seriam os do antigo distrito de Bela-Flor, mas não os especificava. A administração municipal de Monte Alto havia criado o distrito de Lagoa da Espera, reduzindo a área do distrito de Bela-Flor e alterando os limites interdistritais.

Todavia importantes faixas territoriais de municípios fronteiriços foram absorvidas por Guanambi quando da fixação dos limites dos seus distritos, a exemplo de Lagoa da Espera, que teve o nome mudado para Itaguaçu, depois Mutãs, em razão de já haver, no estado do Espírito Santo, uma localidade com a denominação de Itaguaçu. Mutãs vem do tupi mutá, palanque ou assento no mato, onde o caçador espreita a caça.

No dia 8 de janeiro de 1920, o intendente Balbino Cajahyba sancionou a Lei nº 2, votada pelo Conselho Municipal, que criou os distritos de Paz de Guanambi, na sede, e o de Mocambo. Mas a lei somente chegou ao conhecimento público após referendada pela Lei Estadual nº 1.589, de 28 de agosto de 1922. Mocambo, mais tarde, em 1º de janeiro de 1945, por força de lei federal que definiu um novo quadro territorial nacional, recebeu o nome de Candiba. Sua autonomia política e administrativa viria em 1962.

FAMÍLIAS DESBRAVADORAS

As primeiras informações históricas acerca do surgimento do município de Guanambi remontam ao século XIX, com a doação de uma gleba, por Joaquim Dias Guimarães, para a construção de uma capela para Santo Antônio, tomado como padroeiro local.

Segundo relato de antigos moradores, o povoamento começou por volta de 1870, nas margens do rio Carnaíba de Dentro. E cresceu por força da abnegação de desbravadores, a exemplo dos Pereiras; Costas; Castros; Dias; e Guimarães, que se espalharam por toda a região do Gentio (atual Ceraíma), Matina, Riacho de Santana e Igaporã, intensificando a exploração agrícola e a pecuária.

Só em 1880, pela Lei Provincial nº 1.779, de 23 de junho, é que foi criado o distrito de Paz de Bela-Flor, ligado ao município de Monte Alto, e com sede no arraial de Beija-Flor. Embora oficialmente tivesse a denominação de Bela-Flor, por muito tempo persistiu o nome de Beija-Flor, com o qual se tornou conhecido.

A criação do município foi em 14 de agosto de 1919, desmembrado do de Monte Alto, com instalação a 1º de janeiro de 1920. Até o final dos anos 1980, o dia da instalação do município era celebrado como data cívica maior, sendo substituído pelo 14 de agosto, data da sua criação. A correção ocorreu no final dos anos 1990, numa iniciativa da Câmara de Vereadores, tendo à frente o vereador Paulo Costa Pereira, que mostrou o erro histórico e corrigiu o Dia da Cidade.

Guanambi tem uma área geográfica relativamente pequena: 1.272 quilômetros quadrados, dos quais cerca de 68 km2 estão no perímetro urbano e o restante em zona rural. Sua população, conforme estimativa do IBGE (2025), ultrapassa os 93 mil habitantes. Além da sede urbana, o município possui três distritos principais, a saber, Ceraíma, Morrinhos e Mutãs.

OUTRA HISTÓRIA

Na história de Guanambi destaca-se a construção do açude de Ceraíma, com espelho d’água de 58 milhões de metros cúbicos de água. Foi, por muito tempo, a principal fonte de abastecimento de água potável da cidade, depois substituída pelo rio São Francisco.

Segundo narração do historiador Domingos Antônio Teixeira no livro Respingos Históricos (p. 132), no dia 22 de julho de 1948 começaram os trabalhos preliminares para construção do açude, pelo Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs). A primeira etapa da barragem foi concluída em 1958, mas as obras foram paralisadas pela empresa construtora. Com as chuvas de janeiro de 1959, a água começou a ser represada, encobrindo a vila de Ceraíma (uma nova foi construída nas margens do lago).

No dia 2 de fevereiro de 1960, uma enchente do rio Carnaíba de Dentro, afluente do Rio das Rãs, um tributário do São Francisco, rompeu a barragem, às 17h30, com prejuízos materiais, e duas mortes humanas (um homem e uma mulher) na localidade de Pau de Colher, segundo o mesmo historiador. A reconstrução do açude começou em março de 1964, por decisão do ministro de Obras Públicas, marechal Juarez Távora, que esteve na inauguração, em março de 1966.

Como potencial hidrográfico, o município de Guanambi tem ainda o rio Carnaíba de Dentro e os menores, Rega Pé, Belém, Poço do Magro e Muquém, todos temporários, que correm durante as chuvas. Dentre os açudes destaca-se, também, o do Poço do Magro.

Pedro Santos e a paixão pela viola caipira

Luthier Pedro Santos em sua oficina, na cidade de Guanambi, estado da Bahia

Tocar e construir viola são duas das coisas de que o violeiro e luthier guanambiense Pedro Santos, 59 anos, mais gosta. Porém uma atrapalha a outra; de modo que, por um bom tempo, ele foi obrigado a se afastar da primeira delas e seguir apenas com a luteria, a ponto de já haver fabricado cerca de 500 instrumentos, entre violas, violões, bandolins, banjos e cavaquinhos. “Para pagar as contas” — responde, sobre este afastamento.

Dias atrás, em conversa ao telefone, Pedro Santos me disse que voltará a participar de encontros de violeiros, já a partir deste mês de maio (2026), em Guanambi, no sudoeste da Bahia, a 120 quilômetros de Monte Azul (MG), onde nasceu o violeiro Tião Carreiro (nome artístico de José Dias Nunes). Foi então que me ocorreu refazer aquela pergunta sobre o porquê de ele haver se afastado dos toques e das cantorias daqueles tempos da dupla Laçador e Cedralense (João Pereira dos Santos e Olívio José Santana).

— Quando passei a fabricar instrumentos, foi algo que deu certo, que decolou rapidamente. Então, entre tocar e fabricar, tive que me dedicar à fabricação, porque é de onde saía o dinheiro para pagar minhas contas, pois eu havia mudado de profissão, e só tocar viola, principalmente aqui na região, não tinha como sobreviver disso… Houve outros motivos, mas o principal mesmo foi a luteria, que tomava tempo e exigia dedicação.

Há 50 anos que Pedro Silva convive com a viola caipira; sempre que nos encontramos falamos disso. “Eu comecei a tocar em 1978, mas somente uns dez ou onze anos depois fabriquei a primeira viola” — recorda o agora renomado luthier, fazendo questão de ressaltar que não abandonou a viola, e que viver da arte de tocar e de construir era o seu desejo, mas isto nunca deu certo. “Não cheguei a parar totalmente, tanto que durante o período em que estive afastado gravei alguma coisa em estúdio, gravei CD e tudo mais…” — conta, com ar sério.

A guinada em direção à construção de instrumentos de corda começou no final de 1989, mais exatamente no mês de dezembro, quando Pedro Santos ponteava uma viola. Nesta ocasião, aos 23 anos de idade, ele era um carpinteiro na fazenda Curral de Varas, no distrito de Morrinhos, no município de Guanambi, e notando que a sua viola já estava castigada pelo tempo e pelo uso, disse para si: “Viola é feita de madeira, sou carpinteiro, então vou fazer a minha.”

Antes de terminar 1990 ele já tinha a primeira viola pronta, que mantem guardada, nos moldes de um troféu. “É rústica, muito rústica mesmo, mas tenho comigo até hoje” — conta, e destaca que entre 1990 e 1997 construiu seis violas, 12 violões e três cavaquinhos, quando então parou a luteria, por não se apresentar como atividade rentosa, o que o desanimou. “Não dava dinheiro e eu tinha de cuidar da família, então voltei para a marcenaria, trabalhei como pedreiro, fiz outras coisas e assim fiquei uns sete anos, até que voltei à luteria, em 2001, animado pelos amigos” — recorda. A partir desta data ele passou a numerar seus instrumentos e deu a todos sua marca “PS” de artesão.

O trabalho artesanal de Pedro Santos, de perfeita transição, une a tradição de quem nasceu no “chão” da música de raiz com o rigor técnico da luteria de alto nível. Para retomar a arte de fazer violas, Pedro dos Santos voltou técnico, estilista e criterioso; adquiriu pinho sueco para usar nos tampos, em lugar do cedro rosa, e melhorou a qualidade das cravelhas, dos metais usados. Com a madeira importada, o preço do instrumento sofreu om aumento substancial.

— De quando eu retornei, em 2001 ou 2002, para cá, acho que já somam uns 500 instrumentos. Foi quando eu passei a enumerar, pois eu não levei em conta aqueles instrumentos da primeira etapa. Foram feitos sem informação, meio que sem conhecimento técnico, tanto é que eu desisti, e na época disse a mim: estou fazendo uma coisa que nem mesmo eu sei o que estou fazendo!

Tão logo retomou a luteria, no que chama de “segunda etapa”, Pedro Santos recebeu a primeira encomenda — deste jornalista e aprendiz de violeiro que vos escreve. O instrumento, uma VMC (Viola Marfim Caipira), de número 2, ficou pronto em agosto de 2002. Com o passar do tempo, diversificou a produção; passou para violão, banjo, bandolim e cavaquinho, enquanto a produção de viola sofria redução, a ponto de ficar até mais de um ano sem construir uma.

TOCAR E CONSTRUIR VIOLA

Certo feita, quando nos encontramos em Guanambi, eu perguntei: mestre Pedro, você deixou de construir viola? A resposta veio no tom de confissão, um tanto grave, entristecida, em meio a queixas das dores lombares que o acometeram nos últimos anos.

— Eu não deixei exatamente. É que quase não recebo encomendas, quase ninguém me pede. Quis o destino que eu fosse bem conhecido na construção do bandolim, então sou muito procurado para fazer bandolins, principalmente de 10 cordas, que envio a toda parte do Brasil e, também, o exterior. Mas viola, realmente, quase não tenho pedidos; de vez em quando acontece de eu fazer uma ou outra.

Pedro Santos acredita que uma das razões para a queda na encomenda da viola caipira seja mesmo o preço do instrumento artesanal, considerado alto, distante “da realidade” de muitos violeiros, mas diz que cobra um valor afinado com o dos demais luthiers. “Realmente, o preço que cobro por um instrumento está acima da realidade daqui da região, mas está dentro do preço da realidade da luteria no Brasil. A maioria dos que querem me encomendar um bandolim paga o preço que eu cobro, mas a maioria dos violeiros que querem me encomendar uma viola, não paga o preço que eu cobro. Por este motivo, eu acabo ficando com os bandolins, porque são os que mais aparecem” — diz, com ar entristecido.

Violão de 7 cordas

DIMINUIR O RITMO

Um outro fator, que não a falta de encomendas, tem feito com que ele reduza o ritmo de trabalho: “Minha a saúde!” — ele disse a mim, em entrevista, queixando-se da sua condição física, das dores que passou a sentir, e que têm dificultado seu trabalho. No começo, Pedro Santos fabricava uma viola em até duas semanas. “Pode ser que passasse um pouco, na busca da melhor acústica, da melhor madeira e da finalização, mas a média era 15 dias para entregar uma viola, um violão”.

— Minha condição física já não é mais a mesma dos tempos passados, por isso eu quero diminuir o ritmo. Eu enfrento dores na coluna, tenho tendinite, bursite e tudo mais. Eu faço tratamento para ir aguentando e, ultimamente, tenho atrasado até encomendas. Estou lutando para reorganizar esta questão de preço e prazo. Eu tenho feito, em média, 18 instrumentos por ano, porém quero diminuir este ritmo, que está muito puxado para mim, que trabalho sozinho. Eu mando encomendas para o Brasil inteiro, até para o exterior; daqui da região são poucas, muito dificilmente acontece uma ou outra.

Bandolim de 10 cordas

Pedro Santos começou fazendo violas para a região de Guanambi, depois vieram pedidos para construir outros instrumentos, procedentes de Salvador, de Anderson Cunha; Jair Soares, guitarrista de Caetité; Edson Sete Cordas; Ailton Reiner; Armandinho e Aroldo Macedo. Em seguida para o Rio de Janeiro, de Ronaldo do Bandolim; e Brasília, de Reco do Bandolim, presidente do Clube do Choro; Dudu Maia; Jorge Cardoso; Hamilton de Holanda. “E assim, tenho mandado para o Brasil inteiro e para países do exterior, entre os quais os Estados Unidos, da Europa, da Ásia” — completou.